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Categoria: moeda digital8 min de leitura

Stablecoins: O Que São e Por Que Estão Ganhando Espaço no Brasil

Por Equipe Bitcred ·

Entenda o que são stablecoins, como elas se diferenciam do Bitcoin e por que cada vez mais brasileiros usam essas moedas digitais no dia a dia.

Neste artigo

Enquanto o Bitcoin costuma ocupar as manchetes por sua volatilidade, um outro tipo de ativo digital cresceu de forma mais silenciosa no Brasil ao longo dos últimos anos: as stablecoins, moedas digitais projetadas para manter valor estável, geralmente atrelado ao dólar americano. Usadas tanto para proteção contra a desvalorização do real quanto para transações internacionais mais baratas, as stablecoins se tornaram porta de entrada de muitos brasileiros no universo das criptomoedas justamente por oferecerem menos oscilação do que os ativos mais conhecidos do setor. Corretoras brasileiras registraram crescimento constante no volume negociado desse tipo de ativo, refletindo uma mudança de perfil entre investidores que buscam exposição a moeda estrangeira sem os trâmites de uma conta bancária internacional.

Como uma moeda digital consegue manter valor estável#

A maioria das stablecoins mais usadas mantém reservas em dólares ou ativos equivalentes depositados por empresas emissoras, teoricamente na mesma proporção do total de moedas em circulação, garantindo que cada unidade digital possa ser resgatada por seu valor de referência. Existem também modelos algorítmicos, que tentam manter a estabilidade através de mecanismos automáticos de oferta e demanda em vez de reservas físicas, mas esses modelos já mostraram falhas relevantes no passado e costumam ser tratados com mais cautela pelo mercado. Por isso, ao escolher uma stablecoin, vale priorizar projetos que publicam relatórios de auditoria independentes e regulares sobre suas reservas, em vez de aceitar apenas a promessa de lastro sem qualquer verificação externa.

Por que brasileiros usam stablecoins no dia a dia#

Em um país com histórico de inflação e oscilação cambial, manter parte das reservas em uma moeda digital atrelada ao dólar funciona, para muitos, como uma forma simplificada de proteção patrimonial sem precisar abrir conta em banco no exterior. Além disso, freelancers e pequenas empresas que recebem pagamentos internacionais frequentemente usam stablecoins para reduzir o tempo e o custo de transferências que, por métodos bancários tradicionais, poderiam levar dias e envolver tarifas mais altas de conversão. Plataformas de comércio internacional também têm adotado stablecoins como meio de pagamento entre fornecedores e compradores, reduzindo a exposição de ambas as partes à variação cambial durante o processo de negociação e entrega.

Riscos que continuam existindo mesmo com estabilidade de preço#

Estabilidade de preço não significa ausência de risco. O principal ponto de atenção é a confiança na empresa emissora e na transparência das reservas que sustentam a moeda: auditorias incompletas ou reservas insuficientes já geraram episódios de perda de paridade em alguns projetos menores no passado. Além disso, corretoras onde as stablecoins são compradas e guardadas também podem sofrer falhas de segurança, o que reforça a importância de escolher plataformas regulamentadas e com histórico consolidado no mercado. Guardar grandes quantias por longos períodos em uma única corretora, sem diversificar entre plataformas ou mover parte para uma carteira própria, também concentra risco desnecessário sobre uma única empresa.

Como funciona a tributação sobre stablecoins no Brasil#

Para fins fiscais, a Receita Federal trata stablecoins da mesma forma que outras criptomoedas: operações de compra e venda que resultem em ganho de capital acima do limite mensal de isenção precisam ser declaradas e tributadas. Mesmo quando o valor da moeda permanece estável em relação ao dólar, a variação em relação ao real pode gerar ganho ou perda tributável, o que torna importante manter registro organizado de cada operação realizada ao longo do ano. Corretoras nacionais regulamentadas costumam fornecer relatórios anuais consolidados que facilitam essa apuração, reduzindo o trabalho manual de reunir cada operação individualmente na hora de preencher a declaração.

Stablecoins substituem uma conta em dólar tradicional?#

Não completamente. Contas em dólar tradicionais, quando oferecidas por bancos regulamentados, costumam ter proteção adicional e processos de contestação mais estabelecidos em caso de problema, incluindo cobertura do Fundo Garantidor de Créditos em algumas modalidades. Stablecoins oferecem agilidade e custo menor para movimentações pontuais, mas ainda dependem da solidez da corretora usada e não substituem, para a maioria das pessoas, uma estratégia patrimonial mais ampla que combine diferentes tipos de proteção cambial, como investimentos no exterior e produtos bancários tradicionais.

O cenário regulatório brasileiro para stablecoins#

O Banco Central do Brasil tem avançado na regulamentação de prestadoras de serviços de ativos virtuais, exigindo que corretoras que operam com stablecoins e outras criptomoedas obtenham autorização formal para funcionar no país. Regras específicas sobre remessas internacionais envolvendo stablecoins também vêm sendo discutidas, já que o volume crescente dessas operações despertou atenção de reguladores preocupados com prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento de atividades ilícitas. Acompanhar essas mudanças regulatórias é importante para qualquer usuário que utilize stablecoins de forma recorrente, já que novas exigências podem impactar diretamente a forma como essas operações são realizadas no futuro.

Como funcionam as reservas por trás das principais stablecoins#

As empresas emissoras das principais stablecoins costumam publicar relatórios periódicos detalhando a composição de suas reservas, que geralmente incluem títulos do Tesouro americano de curto prazo, depósitos em dinheiro e outros instrumentos de alta liquidez, evitando ativos mais arriscados que poderiam comprometer a capacidade de honrar resgates em momentos de estresse de mercado. A qualidade e a liquidez desses ativos de reserva são justamente o que diferencia projetos mais sólidos de projetos mais arriscados, já que uma reserva composta majoritariamente por ativos líquidos e de baixo risco tende a resistir melhor a picos de resgate do que uma reserva concentrada em ativos menos líquidos ou mais voláteis.

Stablecoins e remessas internacionais para brasileiros no exterior#

Brasileiros que moram fora do país, ou que têm familiares vivendo no exterior, também têm recorrido a stablecoins como alternativa às remessas internacionais tradicionais, que costumam envolver tarifas fixas e spreads cambiais elevados quando feitas por bancos convencionais. Ao converter reais em stablecoins e depois em moeda local no destino, é possível reduzir significativamente o custo total da operação, especialmente em transferências recorrentes de valores menores, como o envio mensal de ajuda financeira a parentes. Essa aplicação prática tem impulsionado a adoção da tecnologia mesmo entre pessoas que não se consideram investidoras em criptoativos, mas que enxergam na ferramenta uma solução funcional para um problema financeiro cotidiano.

Principais stablecoins negociadas por brasileiros#

Entre as stablecoins mais negociadas por investidores brasileiros estão aquelas atreladas ao dólar americano emitidas por grandes empresas do setor, disponíveis na maioria das corretoras nacionais regulamentadas. Cada projeto tem particularidades quanto à composição de reservas, frequência de auditoria e jurisdição de operação, fatores que devem ser avaliados antes de concentrar valores relevantes em um único emissor. Comparar o histórico de cada stablecoin, incluindo eventuais episódios de perda de paridade no passado e a transparência dos relatórios divulgados, é um exercício que ajuda o investidor a tomar decisões mais informadas sobre qual projeto oferece o equilíbrio mais adequado entre confiabilidade e liquidez para seu perfil de uso.

Diferença entre stablecoins e outras formas de proteção cambial#

Antes de escolher stablecoins como estratégia de proteção contra a desvalorização do real, vale comparar essa opção com alternativas mais tradicionais, como fundos cambiais, contas em dólar oferecidas por corretoras de câmbio autorizadas e investimentos diretos no exterior por meio de plataformas internacionais. Cada uma dessas alternativas tem estrutura de custos, liquidez e nível de proteção regulatória diferentes. Fundos cambiais, por exemplo, contam com supervisão da Comissão de Valores Mobiliários e costumam ser mais adequados para quem busca exposição ao dólar sem lidar diretamente com exchanges de criptomoedas, enquanto stablecoins oferecem mais agilidade para quem já opera regularmente no universo cripto e precisa de liquidez quase instantânea entre plataformas.

O crescimento das stablecoins em pagamentos empresariais#

Além do uso individual, empresas brasileiras de comércio exterior vêm adotando stablecoins como parte de suas operações de pagamento internacional, especialmente em transações com fornecedores da Ásia e de outros mercados emergentes, onde o acesso a sistemas bancários tradicionais pode ser mais lento ou custoso. Esse uso corporativo ainda opera em um espaço regulatório em desenvolvimento, o que exige acompanhamento jurídico e contábil especializado para garantir conformidade com as normas cambiais e tributárias brasileiras. À medida que a regulamentação avança, espera-se que esse tipo de uso corporativo se torne mais comum e mais seguro juridicamente para as empresas envolvidas.

Perguntas frequentes sobre stablecoins#

Todas as stablecoins são atreladas ao dólar? A maioria das mais negociadas está atrelada ao dólar americano, mas existem também stablecoins atreladas a outras moedas, como o euro, e até a commodities como o ouro. É seguro manter uma reserva financeira inteira em stablecoins? Não é recomendado, já que o ativo ainda depende da solidez de uma empresa emissora e de uma corretora, riscos que uma conta bancária tradicional regulamentada tende a mitigar melhor. Como comprar stablecoins no Brasil? O processo é semelhante ao de comprar outras criptomoedas, por meio de corretoras nacionais regulamentadas, geralmente com depósito via Pix ou transferência bancária.

Conclusão#

As stablecoins ocupam um espaço intermediário entre a volatilidade das criptomoedas tradicionais e a estabilidade de uma moeda fiduciária, o que explica seu crescimento constante entre brasileiros preocupados com proteção patrimonial. Como em qualquer ativo digital, a segurança depende menos da tecnologia em si e mais da escolha de plataformas confiáveis e do entendimento claro dos riscos envolvidos antes de alocar qualquer valor relevante. Acompanhar comunicados oficiais da empresa emissora e notícias do setor também ajuda a identificar sinais de alerta antes que eventuais problemas de reserva se tornem uma crise de confiança generalizada.

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